IMMANOEL KANT
Filósofo
alemão, fundador da filosofia crítica. Filho de um seleiro, Kant nasceu e
estudou em Königsberg (Kaliningrado), na Prússia oriental. As primeiras obras
de Kant tratam de física e astronomia: a sua Allgemeine Naturgeschichte und
Theorie des Himmels (1755, trad. ing. Universal Natural History and Theory of
the Heavens, 1969) previa a existência do planeta Urano, mais tarde descoberto
por Herschel em 1881. Em 1770 foi nomeado para a cadeira de lógica e metafísica
em Königsberg. Foi depois disto que entrou no seu aclamado período
"crítico". A sua vida era de uma regularidade caricatural: nunca
deixou Königsberg e nunca casou.
No tempo de Kant, o mundo do
conhecimento encontrava-se diante de duas correntes de considerável destaque: o
racionalismo dogmático e o empirismo céptico. Essas correntes discutiam a
origem do conhecimento, porém o rigor era igualmente válido em ambas as
argumentações.
O racionalismo dogmático visava a
conhecer seus objetos absolutamente a priori, defendia com rigor a origem do
conhecimento pela razão, fundamentado no princípio das idéias inatas e no
método dedutivo-matemático. Os dogmáticos acreditavam no poder exclusivo da
razão e apoiavam-se nos domínios dos juízos analíticos de explicação. Assim,
através do princípio de identidade, que apresenta universalidade e necessidade
rigorosas, pretendiam os racionalistas demonstrar a validade e a verdade acerca
dos seus pressupostos científicos. Nos juízos analíticos, pela simples análise
do conceito, podemos determinar, anteriormente a qualquer experiência, o valor
de verdade de uma proposição. Com isso, ao dizer que “o predicado B pertence ao
sujeito A como algo que está implicitamente contido nesse conceito A,
formulamos um juízo de explicação que possui uma verdade objetiva. Entretanto,
os juízos de explicação dizem apenas o óbvio e nada acrescentam ao nosso
conhecimento. Na proposição “a bola é redonda”, poder-se-á considerar que o
predicado ‘redonda’ está contido no conceito do sujeito ‘bola’.
Portanto, tal proposição é um juízo
analítico, pois podemos saber a priori a verdade desse juízo sem recorrer à
experiência. Todo o problema, segundo Kant, reside no fato dos juízos de
explicação serem estéreis, isto é nada acrescentam ao nosso conhecimento, por
afirmarem algo que já é essencial ao sujeito.
Conhecimento
Puro (a priori) – aquele que não depende de quaisquer dados dos sentidos, ou
seja, que á anterior à experiência, nascendo puramente de uma operação
racional. Exemplo: a afirmação (juízo) “Duas linhas paralelas jamais se
encontram no espaço” não se refere a esta ou àquela linha paralela, mas a
todas. Constitui, assim, um conhecimento universal. Além disso, é uma afirmação
que, para ser válida, não depende de nenhuma condição específica. Trata-se,
portanto, de um conhecimento necessário.
Tipos
de juízo
O
conhecimento puro, por conseguinte, conduz a juízos universais e necessários,
enquanto o conhecimento empírico não possui essa característica. Os juízos, por
sua vez, são classificados por Kant em dois tipos:
Juízo
Analítico – aquele em que o predicado já está contido no conceito do sujeito.
Ou seja, basta analisar o sujeito para deduzir o predicado. Tomemos, por
exemplo, a afirmação: “O quadrado tem quatro lados”. Analisando o sujeito
dessa afirmação, quadrado, deduzimos necessariamente o predicado: tem quanto
lados. Kant também chamava os juízos analíticos de juízos de elucidação, pois o
predicado simplesmente elucida algo que já estava contido no conceito do
sujeito.
Juízo
sintético – aquele em que o predicado não está contido no conceito do sujeito.
Nesses juízos, acrescenta-se ao sujeito algo de novo, que é o predicado. Assim,
os juízos sintéticos enriquecem nossas informações e ampliam o conhecimento.
Por isso, Kant também os denominava juízos de ampliação. Por exemplo, na
afirmação “Os corpos se movimentam”, por mais que analisemos o conceito corpo
(sujeito), não extrairemos dele a informação representada pelo predicado se
movimentam.
Por
fim, analisando o valor de cada juízo, Kant distingue três categorias:
Juízo
analítico – como no exemplo da afirmação “O quadrado trem quatro lados” é um
juízo universal e necessário, mas serve apenas para elucidar ou explicitar
aquilo que já se conhece do sujeito. Ou seja, a rigor, é apenas importante para
se chegar à clareza do conceito já existente, mas não conduz a conhecimentos
novos.
Juízos
sintético a posteriori – como no exemplo da afirmação “Este livro tem a capa
verde”, amplia o conhecimento sobre o sujeito, mas SUS validade está sempre
condicionada ao tempo e ao espaço em que se dá a experiência e, portanto, não
constitui um juízo universal e necessário.
Juízo
sintético a priori – como no exemplo da afirmação”Duas linhas paralelas jamais
se encontram no espaço”, e em outras da matemática e da geometria, acrescenta
informações novas ao sujeito, possibilitando uma ampliação do conhecimento. E
como não está limitado para experiência, é um juízo universal e necessário. Por
isso, segundo Kant, é o juízo mais
importante.
Para o filósofo, a matemática e a física seriam disciplinas científicas
científicas por trabalharem com juízos sintéticos a priori.
ESTRUTURAS
DO SENTIR E CONHECER
Kant
buscou saber como é o sujeito a priori, isto é, o sujeito antes de qualquer
experiência. Concluiu que existem no ser humano, certas estruturas que
possibilitam a experiência (as formas a priori da sensibilidade) e determinam o
entendimento (as formas a priori do entendimento). Trata-se do chamado
apriorismo.
-
Formas a priori da sensibilidade – são o tempo e o espaço. Kant dirá que
percebemos e representamos a realidade sempre no tem e no espaço. Essas noções
são “intuições puras”, existem como estruturas básicas na nossa sensibilidade e
são elas que permitem a experiência sensorial.
Formas
a priori do entendimento – de modo semelhante, os dados captados por nossa
sensibilidade são organizados pelo entendimento de acordo com certas categorias.
As categorias são “conceitos puros” existentes a priori no entendimento, tais
como causa, necessidade, relação e outros, que servirão de base para a emissão
de juízos sobre a realidade.
LIMITES
DO ENTENDIMENTO
O
conhecimento, portanto, seria o resultado de uma interação entre o sujeito que
conhece (de acordo com suas próprias estruturas a priori) e o objeto conhecido.
Isso significa que não conhecemos as coisas em si mesmas ( o ser em si), isto
é, como elas são, de forma independente de nós. Só conhecemos as coisas tal
como as percebemos ( o ser para nós).
Em
outras palavras, as coisas são conhecidas de acordo com nossas próprias
estruturas mentais.
Para
Kant, sua filosofia representava uma superação do racionalismo e do empirismo,
pois argumentava que o conhecimento é o resulta de dois grandes ramos: a
sensibilidade, que no oferece dados dos objetos, e o entendimento, que
determina as condições pelas quais os objeto é pensado.
O
sistema filosófico de Immanuel Kant (séc. XVIII) é conhecido pelo nome geral de
criticismo e encontra-se exposto, sobretudo, na Crítica da razão pura. Kant diz
desenvolver uma "filosofia transcendental" na qual expõe a crítica a
que há que submeter a razão humana a fim de indagar as condições que tornam possível
o conhecimento a priori. Com a sua filosofia Kant conciliava as disputas entre
empiristas e racionalistas. Para isso considera que existem duas faculdades que
operam na aquisição de conhecimentos: a sensibilidade (1) e o entendimento.
Considera
que, para entender a experiência (conhecimento a posteriori), é necessário ter
conhecimentos que não provenham da experiência (conhecimentos a priori):
"embora todo o nosso conhecimento comece com a experiência, isso não
significa que proceda todo da experiência". Só assim é que o conhecimento
empírico pode ter as condições exigidas pelo verdadeiro conhecimento
(universalidade e necessidade) -- características que a experiência por si só
não pode outorgar. Esta posição opera uma mudança de método, tal como a
afirmação de que não é o entendimento que se deixa governar pelos objectos, mas
são estes que se submetem às leis do conhecimento impostas pelo entendimento
humano. Trata-se de uma "revolução copernicana", um salto radical em
relação ao empirismo.
Kant
observa que, para que se dê o conhecimento, são precisos dois tipos de
condições: empíricas e a priori. As primeiras são particulares e contingentes,
quer dizer, dizem respeito a um sujeito e podem ser modificadas (por exemplo,
para ver uma coisa intervém a agudeza visual e o tamanho do objecto); mas há
outras a priori, universais e necessárias: o espaço e o tempo, que estão sempre
presentes e não procedem da experiência mas a antecedem (para ver algo,
primeiro é preciso um lugar e um tempo no qual se ordenam as impressões
recebidas pela vista). Portanto, se existem condições a priori, isto implica
que o sujeito desempenha um papel activo no processo do conhecimento, traz algo
para esse conhecimento e, portanto, não se limita a receber passivamente o que
percebe. Por outro lado, os juízos podem ser analíticos ou sintéticos. Os
juízos analíticos são aqueles cujo predicado está compreendido no conceito do
sujeito e, portanto, não são extensivos, não trazem nada de novo ao
conhecimento; por exemplo, "o quadrado tem quatro lados iguais". Os
juízos sintéticos, esses sim, ampliam o nosso conhecimento porque o predicado
não faz parte do sujeito; por exemplo, "este livro é de Filosofia".
Nestes exemplos verificamos que o primeiro também é um juízo a priori, porque o
facto de um quadrado ter quatro lados é uma característica essencial do mesmo e
não precisamos da experiência para o comprovar. No segundo caso, trata-se de um
juízo a posteriori, pois necessitamos de recorrer à realidade para o emitir: é
necessária a experiência.
Mas
a grande descoberta é afirmar que há juízos sintéticos a priori: aumentam o
nosso conhecimento (são sintéticos) e são universais e necessários (a priori),
e além disso são próprios das ciências. Assim, um juízo como "os objetos
caem devido à lei da gravidade", é sintético porque o predicado nos traz
uma informação que não está incluída no sujeito "os objectos", e é a
priori porque, se é certo que o comprovámos pela experiência e pelo hábito, as
coisas caem necessariamente e a experiência não mostra ligações necessárias,
mas apenas contingentes. Deste modo, […Kant] desenvolve uma teoria que concilia
os empiristas e os racionalistas. Face aos racionalistas, afirma que é verdade
que o sujeito traz algo de si -- o espaço, o tempo e as categorias -- mas isso
sem a experiência nada é. Em relação aos empiristas, também defende que o
conhecimento deve ater-se à experiência, mas esta não consiste em meras
impressões: estas impressões são ordenadas pelo sujeito (no espaço e no tempo).
Esta ordem é comum a toda a experiência, pelo que o conhecimento desta ordem
tem carácter universal e necessário.
A
Crítica da Razão Pura (Kritik der reinen Vernuft, 1781, conhecida como a
primeira Crítica) expande estes temas de maneira a abranger todas as categorias
usadas no pensamento. O seu objetivo é "assegurar à razão as pretensões a
que tem direito, e afastar quaisquer pretensões sem fundamento, não através de
decretos despóticos, mas de acordo com as suas próprias leis eternas e
inalteráveis" (Prefácio à primeira edição).
A
primeira Crítica é uma preparação para o problema da razão prática, sobre o
qual deteve depois a sua atenção.
A
terceira Crítica, a Crítica da Faculdade do Juízo (Kritik der Urteilskraft,
1790) confronta a dificuldade de tornar objectivos os juízos estéticos, quando
eles não são feitos de acordo com uma regra, mas em resposta ao prazer
subjectivo. Kant relaciona o nosso direito de exigir o acordo das outras
pessoas em tais matérias com uma concepção teleológica da natureza, orientada
por fins, uma ideia partilhada pelo romantismo deste período, e ao qual ele
emprestou a sua enorme autoridade.
.
Referências
Bibliográficas
PROPÓSITO
DA INTRODUÇÃO À CRÍTICA
DA
RAZÃO PURA DE IMMANUEL KANT
Acadêmico
Neilson da Silva (PBIC-CNPq)
Orientador:
Prof. Adelmo José da Silva (FUNREI-DFIME)
SILVA,
Neilson José da. A Propósito da Introdução à Crítica da Razão Pura ...
Revista
Eletrônica Print by<http://www.funrei.br/revistas/filosofia>
Metavnoia.
São João del-Rei, n. 1, p. 84-91, 1998/1999
Gostei muito
ResponderExcluirAluna: Jessica silva
Turma: ADI 2-01 Vespertino
Gostei + ou -
ResponderExcluirAluna: Gustavo Jordão
Turma: ADI 2-01 Matutino
Interessante
ResponderExcluirAluno: Thiago
Turma: ADI 2º-01 Matutino
Centro Técnico Severino Vieira
Gostei muito
ResponderExcluirAluno: Gabriel Santos
Turma: EDI 2-01 Matutino
Gostei!
ResponderExcluirAluna: Raphaelly Mesquita
Turma: EDI 2-01 Matutino
Gostei muito
ResponderExcluirAluno: Gabriel Santos
Turma: EDI 2-01 Matutino
Gostei
ExcluirAluno: Eric Neves
Turma:EDI 2 01 Matutino
Gostei
ResponderExcluirAluno:Wesley Sousa
Turma: ADI 201
Gostei
ResponderExcluirAluno:Sheila Carvalho
Turma:ADI 2 01
Gostei
ResponderExcluirAluno: Eric Neves
Turma:EDI 2 01 Matutino
Gostei do texto, muito informativo e esclareceu algumas duvidas minhas também.
ResponderExcluirGisele Nery Costa Bender
ADI 3.01 - Matutino
Gostei O texto é muito interessante, gostei muito.
ResponderExcluirAluna: Andresa Sacramento
Turma: 03ADI01
Gostei
ResponderExcluirAluna:Raiane Lima
Turma:02ADI01
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluireu Gostei ! :)
ResponderExcluirAluno : Marcus Vinicius
Escola : CEEP Severino Vieira
Turma : 04EDI01
Turno : Matutino
Eu gostei, achei interessante.
ResponderExcluirAluna: Hildaliane Ferreira
Serie/Turma: ADI2/01
Turno: Matutino
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirGostei muito, parabéns belo blog, muito bem organizado e de fácil acesso. O texto é muito interessante e consegue prender o leitor.
ExcluirAluno : Marvey Marchel
Escola : CEEP Severino Vieira
Turma : 04EDI01
Turno : Matutino
Legal, vou fazer a atividade rsrsrsrs...
ResponderExcluirEDI 2-01
ResponderExcluirEu Gostei !
ResponderExcluirAluno : David Santos
Escola : CEEP Severino Vieira
Turma : 2ADI02
Turno : Matutino
Eu gostei, aprendi muito!
ResponderExcluirAluna_ Caroline O. de Jesus
Colégio_ CEEP Severino Vieira
Turma_ CONI 201
Turno_ Matutino
adorei o texto! muuito boom!
ResponderExcluiraluna THAISE ANDRÉA
turma:ADI101
TURNO:MATUTINO